A proposta de Wilson acerca do desenho de materiais on-line e a construção do conhecimento, é interessante, pois leva-me a pensar nos diferentes modelos de aprendizagem, mais ou menos directivos. A opção por uma destas metáforas revela, então, a concepção filosófica de educacão que temos.
Wilson faz referência ao ambiente de aprendizagem, "lugar" ou "espaço", onde a aprendizagem ocorre e que, para esse efeito, são imprescindíveis duas condições: o sujeito e o espaço. É aqui que através da utilização de instrumentos e dispositivos, reuniões e interpretação de informação, interacção com outros, etc., a aprendizagem se efectua.
Assim, o conhecimento pode ser encarado de quatro ângulos diferentes, com os respectivos efeitos na aprendizagem:
(i)se o conhecimento é como uma quantidade ou um pacote de conteúdo a ser transmitido, então a aprendizagem é vista como um produto a ser entregue por um veículo;
(ii)se o conhecimento é como um estado cognitivo que se reflecte nos esquemas e habilidades processuais do indivíduo, então a aprendizagem é um conjunto de estratégias educativas criadas para modificar esquemas de pensamento do indivíduo;
(iii)se o conhecimento é como as significações que uma pessoa constrói pela interacção com o meio ambiente, então a aprendizagem ocorre quando um aluno dispõe de instrumentos e recursos dentro de um ambiente estimulante;
(iv)se o conhecimento é como a aculturação ou adopção de modos de um grupo de ver e actuar, então a aprendizagem é uma participação nas actividades diárias de uma comunidade.
Depois de uma análise, podemos concluir que à medida que passamos de uma metáfora para a seguinte, o nível de autonomia vai aumentando e a interacção na construção do conhecimento também.
Assim, a autonomia e interacção são palavras-chave. Na minha perspectiva, a intenção não deve ser oferecer conteúdos prontos e estáticos, como simples mercadoria a transportar, mas levar o aluno a pensar de que modo, através do trabalho cooperativo, pode construir o seu conhecimento. Assim, promove-se a autonomia do aluno, como sujeito activo na construção do conhecimento.
No entanto, o papel dos professores é igualmente importante, visto que são sujeitos de uma aprendizagem cooperativa, na troca de experiências, não assumem apenas o papel de “consumidores”, mas também o de “produtores de informação”. Tudo isto se pode viabilizar através de projectos pedagógicos, artigos, actividades temáticas, cursos on-line, sugestões de pesquisa e temas para debate.
Em relação a experiências vividas enquanto aluna, penso que já vivi situações que posso enquadrar nas quatro metáforas. No entanto, as que contribuíram para uma aprendizagem para a vida foram as que tive a oportunidade de participar activamente na construção do conhecimento, não sózinha (porque ninguém faz nada sózinho!) mas em interacção com outros (professores,colegas e crianças).
Em suma, independentemente do tempo e lugar onde o processo de ensino e aprendizagem ocorre, pretende-se que o aluno progrida em termos de autonomia na construção do conhecimento, mas sempre em interacção com os outros.
"Sou o que sou por aquilo que tu ou alguém é comigo" (Cristina Mateus, 1998)

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