sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Papel do Educador (de Infância) face às TIC

É preciso dar um passo ainda mais importante: é necessário começar a usar o computador nas actividades escolares de forma consistente e regular, mesmo que o domínio do novo instrumento de trabalho seja ainda incipiente ou mesmo deficiente.
(Henrique Santos, 2001)

O educador, no seu papel de agente de mudança, tem uma importância preponderante na formação da personalidade, na formação de atitudes, positivas e negativas face ao processo ensino/aprendizagem. Este deve despertar a curiosidade, desenvolver a autonomia, estimular o rigor intelectual e criar as condições necessárias para o sucesso da formação, seja a educação formal, seja a permanente, ou informal.
O desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) não diminui em nada o papel do educador, antes o modifica profundamente: o educador deixa de ser o transmissor do saber, tornando-se num elemento do conjunto, organizando o saber colectivo.

Deste modo, o educador para ter um verdadeiro conhecimento e domínio dos novos instrumentos, necessita de uma formação inicial e contínua que lhe favoreça este novo papel. É urgente uma reflexão, por parte do educador, quanto às suas práticas pedagógicas, assumindo por vezes, a necessidade de uma mudança, visto que os processos cognitivos dos alunos alteram-se substancialmente com a utilização destes novos instrumentos de trabalho.
Trabalhar com as TIC também se aprende e a sua utilização torna-se muito gratificante. Assim, o educador passa a assumir um processo de formação contínua muito mais efectivo, em simultâneo com a tentativa de compreender o trabalho do aluno e as suas ideias, de forma a fazer, não só um esforço de aprendizagem da tecnologia, mas também da aprendizagem com o aluno.
Porque as crianças reflectem à medida que a realidade “acontece”, não recorrendo a generalizações, ou seja, por pensarem concretamente, tornam-se as mais competentes aprendizes da informática e das aplicações tecnológicas.
É de grande importância que o educador tenha consciência do processo de elaboração da inteligência prática das crianças face às TIC. As funções essenciais da inteligência consistem em compreender e inventar, isto é, em construir estruturas estruturando o real.

Os docentes devem ter uma visão ampla das suas funções como educadores, para além da aquisição de um conjunto de técnicas de ensino. Assim, aos educadores cabe-lhes o papel de avaliadores das capacidades técnicas das TIC, pois têm competências e conhecimento para tal. Contudo, não chega saber utilizar os instrumentos, deve acima de tudo, saber quando e como os utilizar. Para isso, deve ser “educado”.
Em suma, o educador deve ter a consciência clara que a tecnologia não faz parte natural das coisas, e se por um lado, assume aspectos positivos, também pode assumir aspectos negativos. Ele deve ser um guia do aluno, um conselheiro, um parceiro na procura de informação e da verdade, motivando e favorecendo a descoberta de novos modelos, de outras informações e de outros métodos, nunca descurando o desenvolvimento do espírito crítico e analítico que deve emanar do aluno. Promovendo a participação deste em todo o processo, o educador faz com que a que a sua motivação seja um fenómeno intrínseco e não que provenha do educador, dos pais ou dos amigos. Por último, saliento ainda que o educador deve ter em conta que a formação contínua efectiva é a solução para a sua integração e actualização no novo paradigma educacional.

As TIC na Educação de Infância

As tecnologias da informação e da comunicação podem contribuir para uma nova cultura de partilha, ao permitir criar e comunicar informação à distância...
(Mendelsohn, 1998)

Ao contrário do que se passa nas instituições de educação de infância, muitas crianças, desde cedo, têm acesso aos computadores em casa, ou porque vêem os pais a utilizá-los ou porque estes lhes oferecem consolas de videojogos. Mas os programas utilizados em casa são diferentes daqueles utilizados no jardim de infância. Em casa utilizam sobretudo videojogos, de comercialização massificada, enquanto na instituição os programas utilizados têm uma finalidade didáctica. No entanto, este facto esteja a mudar visto que cada vez mais a indústria do software, em particular o multimédia, desenvolve programas que para além da componente lúdica, inclui objectivos educativos.
No que concerne às crianças provenientes de ambientes familiares desfavorecidos, o panorama não é tão animador. Visto que em casa não lhe pode ser proporcionado este tipo de experiências, seria desejável que o pudessem encontrar no jardim de infância. De facto, neste como em alguns outros domínios, o pré-escolar é o parente pobre do sistema educativo. O primeiro projecto de âmbito nacional, de introdução dos computadores nas escolas, o denominado Projecto Minerva, que se desenvolveu de 1985 a 1994, só marginalmente se preocupou com o pré-escolar, introduzindo computadores nas salas de jardim de infância, formando as educadoras e desenvolvendo investigação (ver: Ponte, 1994*; Miranda, 1995**). Os actuais projectos de introdução das tecnologias da informação e comunicação nas escolas, o Projecto Uarte,
da responsabilidade do Ministério da Educação, parecem caminhar no mesmo sentido, embora este último tenha dado alguns passos positivos em relação ao pré-escolar.
É tempo das educadoras de infância apresentarem projectos de escola e projectos curriculares que integrem as novas tecnologias. É necessário cultivar uma atitude informada, racional e crítica, analisando as possibilidades e limites dos computadores e dos programas existentes, sabendo quando e como utilizá-los.
Os computadores, só por si, não são bons nem maus. O modo como os utilizamos é que pode ser positivo ou negativo. Cabe-nos a nós, adultos, pais e profissionais da educação, controlar o tempo e o tipo de programas que as crianças utilizam, não as deixando entregues a si próprias e à máquina, numa atitude displicente e irresponsável. Nem todas as crianças são provenientes de ambientes familiares atentos a este aspecto, cabe à escola um papel determinante neste sentido, tentando reconhecer estas situações e ajudando a interpretar o que as crianças vêem e ouvem na TV e fazem com os computadores, mostrando-lhes ainda que com estes podem realizar coisas muito interessantes e educativas.
Assim, os computadores devem ser integrados na educação pré-escolar, como meios auxiliares dos processos de ensino e de aprendizagem. As aplicações possíveis podem ser classificadas em duas perspectivas de utilização, apesar da sua diversidade. Numa, o computador assume o papel de um “professor electrónico”, que dá a matéria, propõe exercícios e avalia os alunos – é o computador como tutor,
(exemplo: os programas incluídos no conceito de CAI – Computer Assisted Instruction). Uma outra possibilidade, é a do computador como instrumento de apoio à aprendizagem, ao serviço de educadores e alunos – é o computador como ferramenta. Deste modo, os computadores são como um instrumento polivalente de apoio aos processos de ensino e de aprendizagem (exemplo: os programas de estrutura aberta e sem uma finalidade curricular específica – os programas de processamento de texto e bases de dados, as folhas de cálculo, as conferências por computador, os programas hipermédia e multimédia, como o Power Point, a programação informática, onde se inclui a linguagem Logo, algumas simulações e alguns micromundos). Pode ainda incluir-se nesta categoria a construção de páginas para a Internet e a utilização pedagógica do correio electrónico.
No entanto, estas duas vertentes estão relacionadas. A adopção de uma ou das duas vai ser condicionada por um conjunto de factores, como a filosofia educativa da instituição educativa e dos educadores, os objectivos que pretendem atingir, o nível de desenvolvimento e conhecimento dos alunos e os constrangimentos do mercado.
A instrumentação do acto educativo pode, quando bem feita, proporcionar um mais eficiente controlo da situação de ensino/aprendizagem, constituindo um poderoso factor de motivação, envolvência e enriquecimento do aluno e do professor.
As novas tecnologias da informação e da comunicação aumentam a capacidade para tratar a informação e, no caso de uma correcta utilização, permitem ampliar o funcionamento cognitivo dos alunos durante a aprendizagem. Para o efeito, é necessário saber escolher os programas adequados para ensinar determinados conteúdos, sendo de extrema importância saber o que torna uma aprendizagem mais eficaz. Esta só o é se os alunos estiverem activamente envolvidos a construir conhecimento, de modo cumulativo, integrativo, reflectido, intencional e tendo em vista atingir determinados objectivos.
*Ponte, J. P.. (1994). "O Projecto MINERVA: Introduzindo as NTI na educação em Portugal". Lisboa: Departamento de Programação e Gestão Financeira do Ministério da Educação.
**Miranda, G. L.. (1995). "Os Computadores e o Ensino, o Logo e a Aprendizagem: um balanço crítico". Lisboa: IHS Psicologia, vol.10, nº3, p.175-191.

terça-feira, 15 de abril de 2008

O Mapa Conceptual - técnica de aprendizagem significativa


Segundo Ontoria et al (2003, p.27), «o "mapa conceptual" é uma técnica [cognitiva] criada por Joseph Novak, que o apresenta como "estratégia", "método" e "recurso esquemático"». Permite ao aluno aprender, ao professor organizar os materiais em estudo, auxiliando-os na aquisição do significado dos materiais utilizados e, assim, transforma-se num recurso de representação esquemática dos significados conceptuais da aprendizagem.
O mapa conceptual insere-se num modelo de educação centrado no aluno, que promove o desenvolvimento de destrezas e que tem como objectivo o desenvolvimento harmonioso de todas as dimensões do indivíduo. A aprendizagem é então significativa (Ausubel, cit in Ontoria et al, 2003) pois trata-se de um momento de grande implicação do aluno, que vai para além da dimensão intelectual, promovendo a sua auto-estima.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mapa conceptual realizado no seminário de 7 e 8 de Março de 2008



Este foi o mapa conceptual que produzi na aula, onde refiro, de forma muito sumária, como a sociedade global se situa perante a quantidade de informação que nela circula, através das TIC (tecnologias de informação e comunicação), e as transformações que daí surgem, nomeadamente na escola.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A utilização das TIC como competência para ensinar

As crianças nascem numa cultura em que se clica e o dever dos professores é inserir-se no universo dos seus alunos.
(Patrick Mendelsohn, in L'Hebdo, 1997)


Se a escola ministra um ensino que aparentemente não é mais útil para uso externo, corre o risco de desqualificação. Então, como vocês querem que as crianças tenham confiança nela?
(Patrick Mendelsohn, in L'Hebdo, 1997)


De acordo com Mendelsohn, os professores têm um papel fundamental no que concerne à utilização das TIC na sala de aula. Vericamos que a sociedade actual sofre alterações brutais quer ao nível da comunicação, da organização do trabalho, passando pela tomada de decisões até à forma de pensar e de viver dos indivíduos. Por isso, a escola tem de acompanhar essas transformações, repensando o ofício do professor, pois corre o risco de não cumprir o seu papel de qualificação das crianças e jovens.
Assim, o professor deve incluir na sua prática pedagógica alguns aspectos referenciais (Perrenoud, 2000: 126):
  • Utilizar editores de texto;
  • Explorar as potencialidades didácticas dos programas em relação aos objectivos do ensino;
  • Comunicar-se à distância por meio de telemática;
  • Utilizar as ferramentas multimédia no ensino.