(Henrique Santos, 2001)
O educador, no seu papel de agente de mudança, tem uma importância preponderante na formação da personalidade, na formação de atitudes, positivas e negativas face ao processo ensino/aprendizagem. Este deve despertar a curiosidade, desenvolver a autonomia, estimular o rigor intelectual e criar as condições necessárias para o sucesso da formação, seja a educação formal, seja a permanente, ou informal.
O desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) não diminui em nada o papel do educador, antes o modifica profundamente: o educador deixa de ser o transmissor do saber, tornando-se num elemento do conjunto, organizando o saber colectivo.
Deste modo, o educador para ter um verdadeiro conhecimento e domínio dos novos instrumentos, necessita de uma formação inicial e contínua que lhe favoreça este novo papel. É urgente uma reflexão, por parte do educador, quanto às suas práticas pedagógicas, assumindo por vezes, a necessidade de uma mudança, visto que os processos cognitivos dos alunos alteram-se substancialmente com a utilização destes novos instrumentos de trabalho.
Trabalhar com as TIC também se aprende e a sua utilização torna-se muito gratificante. Assim, o educador passa a assumir um processo de formação contínua muito mais efectivo, em simultâneo com a tentativa de compreender o trabalho do aluno e as suas ideias, de forma a fazer, não só um esforço de aprendizagem da tecnologia, mas também da aprendizagem com o aluno.
Porque as crianças reflectem à medida que a realidade “acontece”, não recorrendo a generalizações, ou seja, por pensarem concretamente, tornam-se as mais competentes aprendizes da informática e das aplicações tecnológicas.
É de grande importância que o educador tenha consciência do processo de elaboração da inteligência prática das crianças face às TIC. As funções essenciais da inteligência consistem em compreender e inventar, isto é, em construir estruturas estruturando o real.
Os docentes devem ter uma visão ampla das suas funções como educadores, para além da aquisição de um conjunto de técnicas de ensino. Assim, aos educadores cabe-lhes o papel de avaliadores das capacidades técnicas das TIC, pois têm competências e conhecimento para tal. Contudo, não chega saber utilizar os instrumentos, deve acima de tudo, saber quando e como os utilizar. Para isso, deve ser “educado”.
Em suma, o educador deve ter a consciência clara que a tecnologia não faz parte natural das coisas, e se por um lado, assume aspectos positivos, também pode assumir aspectos negativos. Ele deve ser um guia do aluno, um conselheiro, um parceiro na procura de informação e da verdade, motivando e favorecendo a descoberta de novos modelos, de outras informações e de outros métodos, nunca descurando o desenvolvimento do espírito crítico e analítico que deve emanar do aluno. Promovendo a participação deste em todo o processo, o educador faz com que a que a sua motivação seja um fenómeno intrínseco e não que provenha do educador, dos pais ou dos amigos. Por último, saliento ainda que o educador deve ter em conta que a formação contínua efectiva é a solução para a sua integração e actualização no novo paradigma educacional.

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