segunda-feira, 30 de junho de 2008

Metáforas de Wilson - uma concepção de aprendizagem

A proposta de Wilson acerca do desenho de materiais on-line e a construção do conhecimento, é interessante, pois leva-me a pensar nos diferentes modelos de aprendizagem, mais ou menos directivos. A opção por uma destas metáforas revela, então, a concepção filosófica de educacão que temos.

Wilson faz referência ao ambiente de aprendizagem, "lugar" ou "espaço", onde a aprendizagem ocorre e que, para esse efeito, são imprescindíveis duas condições: o sujeito e o espaço. É aqui que através da utilização de instrumentos e dispositivos, reuniões e interpretação de informação, interacção com outros, etc., a aprendizagem se efectua.

Assim, o conhecimento pode ser encarado de quatro ângulos diferentes, com os respectivos efeitos na aprendizagem:

(i)se o conhecimento é como uma quantidade ou um pacote de conteúdo a ser transmitido, então a aprendizagem é vista como um produto a ser entregue por um veículo;

(ii)se o conhecimento é como um estado cognitivo que se reflecte nos esquemas e habilidades processuais do indivíduo, então a aprendizagem é um conjunto de estratégias educativas criadas para modificar esquemas de pensamento do indivíduo;

(iii)se o conhecimento é como as significações que uma pessoa constrói pela interacção com o meio ambiente, então a aprendizagem ocorre quando um aluno dispõe de instrumentos e recursos dentro de um ambiente estimulante;

(iv)se o conhecimento é como a aculturação ou adopção de modos de um grupo de ver e actuar, então a aprendizagem é uma participação nas actividades diárias de uma comunidade.

Depois de uma análise, podemos concluir que à medida que passamos de uma metáfora para a seguinte, o nível de autonomia vai aumentando e a interacção na construção do conhecimento também.

Assim, a autonomia e interacção são palavras-chave. Na minha perspectiva, a intenção não deve ser oferecer conteúdos prontos e estáticos, como simples mercadoria a transportar, mas levar o aluno a pensar de que modo, através do trabalho cooperativo, pode construir o seu conhecimento. Assim, promove-se a autonomia do aluno, como sujeito activo na construção do conhecimento.

No entanto, o papel dos professores é igualmente importante, visto que são sujeitos de uma aprendizagem cooperativa, na troca de experiências, não assumem apenas o papel de “consumidores”, mas também o de “produtores de informação”. Tudo isto se pode viabilizar através de projectos pedagógicos, artigos, actividades temáticas, cursos on-line, sugestões de pesquisa e temas para debate.

Em relação a experiências vividas enquanto aluna, penso que já vivi situações que posso enquadrar nas quatro metáforas. No entanto, as que contribuíram para uma aprendizagem para a vida foram as que tive a oportunidade de participar activamente na construção do conhecimento, não sózinha (porque ninguém faz nada sózinho!) mas em interacção com outros (professores,colegas e crianças).

Em suma, independentemente do tempo e lugar onde o processo de ensino e aprendizagem ocorre, pretende-se que o aluno progrida em termos de autonomia na construção do conhecimento, mas sempre em interacção com os outros.

"Sou o que sou por aquilo que tu ou alguém é comigo" (Cristina Mateus, 1998)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

NAEYC e Tecnologia

Numa pesquisa no sitio da NAEYC ( National Association for the Educacion of Young Children) encontrei uns artigos muito interessantes sobre tecnologia na educação de crianças pequenas. Aqui fica a sugestão dos links a visitar:

http://www.naeyc.org/ece/1998/18.pdf

http://www.naeyc.org/ece/1996/09b.pdf

http://www.naeyc.org/ece/2006/05.pdf

http://www.naeyc.org/ece/2003/01.pdf

http://www.naeyc.org/ece/1998/01.pdf

http://www.naeyc.org/ece/1996/09a.pdf

terça-feira, 6 de maio de 2008

Manual de Literacia Digital para Educadores

NOTA: Apesar de ultrapassado o prazo para publicações nos blogs desta disciplina EMCSM, pretendo continuar a publicar as minhas reflexões, independentemente do processo de avaliação ter terminado.

Tendo em conta uma utilização esclarecida, crítica e segura da Internet por parte dos educadores e professores, a SeguraNet disponibiliza, na sua página, alguns materiais de apoio.
Assim, o Manual de Literacia Digital para Educadores, desenvolvido em colaboração com uma equipa de especialistas das áreas dos media e da educação e com o apoio da Comissão Europeia, pretende ser um guia de apoio na utilização da Internet, que constitui uma poderosa rede de canais de informação e comunicação global.

Está também disponível o Guia para Professores, que visa ajudar os professores, numa abordagem mais prática, de algumas das ferramentas mais utilizadas pelos jovens quando navegam na Internet, dando-lhes algumas informações teóricas e sugestões de trabalho para desenvolver em espaço de sala de aula.

Já o Manual para Professores, traduzido do projecto europeu SAFT (http://www.saftonline.org/ ), inclui vários recursos interactivos e planos de aulas concebidos para ajudar os professores a sensibilizar os seus alunos para as questões relacionadas com a segurança online.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A criação do blog como espaço de reflexão e construção de saberes: momento para avaliação

Depois de terminar este blog é tempo de reflexão e avaliação. Como havia referido, foi uma proposta lançada no âmbito da disciplina Elaboração de Materiais Curriculares em Suportes Multimédia, onde foram definidos alguns objectivos, nomeadamente a utilização deste "espaço" para reflexão da nossa prática aliada à utilização das novas tecnologias de informação e comunicação, instrumento valioso no processo de ensino/aprendizagem.


Segundo Adriana Gewerc (Professora Doutora responsável pela disciplina) "um blog é um diário de bordo", daí a pretensão de cada um de nós construir um blog para ir reflectindo e investigando sobre a temática deste seminário, com uma limitação de tempo de mês e meio.


Assim, e porque nos encontramos num curso de Doutoramento (Perspectivas Didácticas em Áreas Curriculares), pretende-se que aprendamos a investigar e, por conseguinte, a produzir algum conhecimento. Essa aprendizagem, tal como propõe Ausubel é uma aprendizagem significativa, e acontece quando encontramos na investigação uma relação estreita com as nossas vivências e necessidades interiores, que acabam por nos envolver afectivamente nesse processo. Daniel Goleman, na sua magnifica obra Inteligência Emocional (2003), propõe uma relação entre aprendizagem e fluxo, sendo fluxo o que acontece quando somos capazes de aproveitar ao máximo as emoções ao serviço do desempenho e da aprendizagem. Acrescenta ainda que "talvez a melhor maneira de o descrever seja o êxtase de um acto de amor perfeito, o fundir de dois seres numa única e harmoniosa entidade" (Idem:112).


Deste modo, temos de encontrar uma empatia grande com a investigação, para que este processo, que é difícil se torne fácil (Idem). Goleman reforça ainda, citando o seu colega psicólogo Howard Gardner, que "todos temos de encontrar qualquer coisa de que gostemos e agarramo-nos a ela. (...) Aprendemos sempre melhor quando se trata de qualquer coisa que nos interessa e temos prazer em fazer." (Idem: 116).


Em jeito de conclusão, gostaria de referir que este desafio de abertura ao mundo:

  • foi enriquecedor, por ser uma forma diferente de aprendizagem e construção de conhecimento;

  • apesar dos poucos comentários que foram sendo feitos ao longo deste mês e meio, é, sem dúvida, uma forma agilizada de partilha de saberes, que nos aproxima e nos ajuda a questionar o que sabemos e a querer encontrar resposta para aquilo que ainda não sabemos;

  • é um espaço que nos expõe e nos aproxima, pois permite uma série de relações de partilha directa e diária com qualquer um, em qualquer parte do mundo.

O novo paradigma educacional visa não uma escola centrada no ensino, mas uma escola centrada nas aprendizagens. Assim, o ofício do professor/educador redefine-se: mais do que ensinar, trata-se de fazer aprender e a escola passa a ser uma instituição que aprende e não apenas uma instituição que ensina.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Papel do Educador (de Infância) face às TIC

É preciso dar um passo ainda mais importante: é necessário começar a usar o computador nas actividades escolares de forma consistente e regular, mesmo que o domínio do novo instrumento de trabalho seja ainda incipiente ou mesmo deficiente.
(Henrique Santos, 2001)

O educador, no seu papel de agente de mudança, tem uma importância preponderante na formação da personalidade, na formação de atitudes, positivas e negativas face ao processo ensino/aprendizagem. Este deve despertar a curiosidade, desenvolver a autonomia, estimular o rigor intelectual e criar as condições necessárias para o sucesso da formação, seja a educação formal, seja a permanente, ou informal.
O desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) não diminui em nada o papel do educador, antes o modifica profundamente: o educador deixa de ser o transmissor do saber, tornando-se num elemento do conjunto, organizando o saber colectivo.

Deste modo, o educador para ter um verdadeiro conhecimento e domínio dos novos instrumentos, necessita de uma formação inicial e contínua que lhe favoreça este novo papel. É urgente uma reflexão, por parte do educador, quanto às suas práticas pedagógicas, assumindo por vezes, a necessidade de uma mudança, visto que os processos cognitivos dos alunos alteram-se substancialmente com a utilização destes novos instrumentos de trabalho.
Trabalhar com as TIC também se aprende e a sua utilização torna-se muito gratificante. Assim, o educador passa a assumir um processo de formação contínua muito mais efectivo, em simultâneo com a tentativa de compreender o trabalho do aluno e as suas ideias, de forma a fazer, não só um esforço de aprendizagem da tecnologia, mas também da aprendizagem com o aluno.
Porque as crianças reflectem à medida que a realidade “acontece”, não recorrendo a generalizações, ou seja, por pensarem concretamente, tornam-se as mais competentes aprendizes da informática e das aplicações tecnológicas.
É de grande importância que o educador tenha consciência do processo de elaboração da inteligência prática das crianças face às TIC. As funções essenciais da inteligência consistem em compreender e inventar, isto é, em construir estruturas estruturando o real.

Os docentes devem ter uma visão ampla das suas funções como educadores, para além da aquisição de um conjunto de técnicas de ensino. Assim, aos educadores cabe-lhes o papel de avaliadores das capacidades técnicas das TIC, pois têm competências e conhecimento para tal. Contudo, não chega saber utilizar os instrumentos, deve acima de tudo, saber quando e como os utilizar. Para isso, deve ser “educado”.
Em suma, o educador deve ter a consciência clara que a tecnologia não faz parte natural das coisas, e se por um lado, assume aspectos positivos, também pode assumir aspectos negativos. Ele deve ser um guia do aluno, um conselheiro, um parceiro na procura de informação e da verdade, motivando e favorecendo a descoberta de novos modelos, de outras informações e de outros métodos, nunca descurando o desenvolvimento do espírito crítico e analítico que deve emanar do aluno. Promovendo a participação deste em todo o processo, o educador faz com que a que a sua motivação seja um fenómeno intrínseco e não que provenha do educador, dos pais ou dos amigos. Por último, saliento ainda que o educador deve ter em conta que a formação contínua efectiva é a solução para a sua integração e actualização no novo paradigma educacional.

As TIC na Educação de Infância

As tecnologias da informação e da comunicação podem contribuir para uma nova cultura de partilha, ao permitir criar e comunicar informação à distância...
(Mendelsohn, 1998)

Ao contrário do que se passa nas instituições de educação de infância, muitas crianças, desde cedo, têm acesso aos computadores em casa, ou porque vêem os pais a utilizá-los ou porque estes lhes oferecem consolas de videojogos. Mas os programas utilizados em casa são diferentes daqueles utilizados no jardim de infância. Em casa utilizam sobretudo videojogos, de comercialização massificada, enquanto na instituição os programas utilizados têm uma finalidade didáctica. No entanto, este facto esteja a mudar visto que cada vez mais a indústria do software, em particular o multimédia, desenvolve programas que para além da componente lúdica, inclui objectivos educativos.
No que concerne às crianças provenientes de ambientes familiares desfavorecidos, o panorama não é tão animador. Visto que em casa não lhe pode ser proporcionado este tipo de experiências, seria desejável que o pudessem encontrar no jardim de infância. De facto, neste como em alguns outros domínios, o pré-escolar é o parente pobre do sistema educativo. O primeiro projecto de âmbito nacional, de introdução dos computadores nas escolas, o denominado Projecto Minerva, que se desenvolveu de 1985 a 1994, só marginalmente se preocupou com o pré-escolar, introduzindo computadores nas salas de jardim de infância, formando as educadoras e desenvolvendo investigação (ver: Ponte, 1994*; Miranda, 1995**). Os actuais projectos de introdução das tecnologias da informação e comunicação nas escolas, o Projecto Uarte,
da responsabilidade do Ministério da Educação, parecem caminhar no mesmo sentido, embora este último tenha dado alguns passos positivos em relação ao pré-escolar.
É tempo das educadoras de infância apresentarem projectos de escola e projectos curriculares que integrem as novas tecnologias. É necessário cultivar uma atitude informada, racional e crítica, analisando as possibilidades e limites dos computadores e dos programas existentes, sabendo quando e como utilizá-los.
Os computadores, só por si, não são bons nem maus. O modo como os utilizamos é que pode ser positivo ou negativo. Cabe-nos a nós, adultos, pais e profissionais da educação, controlar o tempo e o tipo de programas que as crianças utilizam, não as deixando entregues a si próprias e à máquina, numa atitude displicente e irresponsável. Nem todas as crianças são provenientes de ambientes familiares atentos a este aspecto, cabe à escola um papel determinante neste sentido, tentando reconhecer estas situações e ajudando a interpretar o que as crianças vêem e ouvem na TV e fazem com os computadores, mostrando-lhes ainda que com estes podem realizar coisas muito interessantes e educativas.
Assim, os computadores devem ser integrados na educação pré-escolar, como meios auxiliares dos processos de ensino e de aprendizagem. As aplicações possíveis podem ser classificadas em duas perspectivas de utilização, apesar da sua diversidade. Numa, o computador assume o papel de um “professor electrónico”, que dá a matéria, propõe exercícios e avalia os alunos – é o computador como tutor,
(exemplo: os programas incluídos no conceito de CAI – Computer Assisted Instruction). Uma outra possibilidade, é a do computador como instrumento de apoio à aprendizagem, ao serviço de educadores e alunos – é o computador como ferramenta. Deste modo, os computadores são como um instrumento polivalente de apoio aos processos de ensino e de aprendizagem (exemplo: os programas de estrutura aberta e sem uma finalidade curricular específica – os programas de processamento de texto e bases de dados, as folhas de cálculo, as conferências por computador, os programas hipermédia e multimédia, como o Power Point, a programação informática, onde se inclui a linguagem Logo, algumas simulações e alguns micromundos). Pode ainda incluir-se nesta categoria a construção de páginas para a Internet e a utilização pedagógica do correio electrónico.
No entanto, estas duas vertentes estão relacionadas. A adopção de uma ou das duas vai ser condicionada por um conjunto de factores, como a filosofia educativa da instituição educativa e dos educadores, os objectivos que pretendem atingir, o nível de desenvolvimento e conhecimento dos alunos e os constrangimentos do mercado.
A instrumentação do acto educativo pode, quando bem feita, proporcionar um mais eficiente controlo da situação de ensino/aprendizagem, constituindo um poderoso factor de motivação, envolvência e enriquecimento do aluno e do professor.
As novas tecnologias da informação e da comunicação aumentam a capacidade para tratar a informação e, no caso de uma correcta utilização, permitem ampliar o funcionamento cognitivo dos alunos durante a aprendizagem. Para o efeito, é necessário saber escolher os programas adequados para ensinar determinados conteúdos, sendo de extrema importância saber o que torna uma aprendizagem mais eficaz. Esta só o é se os alunos estiverem activamente envolvidos a construir conhecimento, de modo cumulativo, integrativo, reflectido, intencional e tendo em vista atingir determinados objectivos.
*Ponte, J. P.. (1994). "O Projecto MINERVA: Introduzindo as NTI na educação em Portugal". Lisboa: Departamento de Programação e Gestão Financeira do Ministério da Educação.
**Miranda, G. L.. (1995). "Os Computadores e o Ensino, o Logo e a Aprendizagem: um balanço crítico". Lisboa: IHS Psicologia, vol.10, nº3, p.175-191.

terça-feira, 15 de abril de 2008

O Mapa Conceptual - técnica de aprendizagem significativa


Segundo Ontoria et al (2003, p.27), «o "mapa conceptual" é uma técnica [cognitiva] criada por Joseph Novak, que o apresenta como "estratégia", "método" e "recurso esquemático"». Permite ao aluno aprender, ao professor organizar os materiais em estudo, auxiliando-os na aquisição do significado dos materiais utilizados e, assim, transforma-se num recurso de representação esquemática dos significados conceptuais da aprendizagem.
O mapa conceptual insere-se num modelo de educação centrado no aluno, que promove o desenvolvimento de destrezas e que tem como objectivo o desenvolvimento harmonioso de todas as dimensões do indivíduo. A aprendizagem é então significativa (Ausubel, cit in Ontoria et al, 2003) pois trata-se de um momento de grande implicação do aluno, que vai para além da dimensão intelectual, promovendo a sua auto-estima.