segunda-feira, 31 de março de 2008

O Papel das TIC na Escola - Um recurso contra o professor e aluno?

O campo de aplicação inicial das tecnologias não é a educação, mas o processamento da informação para fins de produtividade pessoal ou profissional.
(Pouts-Lajus, 1999)

(…) tanto para as crianças como para os adolescentes, uma utilização mal controlada do computador pode apresentar certos perigos de que tanto os professores como os pais devem ter consciência. (Pouts-Lajus, 1999)


Existe uma grande preocupação e algumas suspeitas por parte dos pais, professores e observadores do mundo educativo quanto à utilização das tecnologias na educação.
Essa preocupação incide, sobretudo, no risco da máquina substituir o professor, o que é legítimo, visto que se trata de um instrumento de transmissão de informação.
Em circunstâncias muito particulares, o recurso maciço a meios técnicos na difusão de programas de ensino, teve a sua justificação. "Nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, na Europa, durante os anos 60, em África, no momento da descolonização, o audiovisual foi empregado para paliar a penúria de professores" (Pouts-Lajus, 1999: 109). Nos últimos anos, organismos de ensino à distância recorreram aos meios audiovisuais e multimédia, inclusivamente difundindo aulas por satélite, com o objectivo de alargar o seu público, essencialmente estudantes do ensino superior ou profissionais altamente qualificados.
Por razões económicas, algumas empresas implementaram planos de formação dos seus trabalhadores, que consistia no ensino assistido por computador (EAC). Deste modo, poderiam substituir capital por trabalho, economizavam nas deslocações e no alojamento das pessoas em formação, transferindo a carga financeira da formação do empregador para os assalariados. Todas estas iniciativas foram dificultadas, tanto ao nível técnico como pedagógico, traduzindo-se num recuo muito sensível do EAC nas empresas, no início dos anos 90.
Só nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, a ideia do computador-professor foi introduzida nas instituições escolares (ILS – Integrated Learning System), tornando-se uma excepção. Na educação não há grande aceitação da lógica económica, que está menos sujeita às pressões do mercado do que a formação profissional. As tradições, a forte organização do seu pessoal e a liberdade reconhecida aos professores nas suas escolhas pedagógicas, contribuem decididamente para esse fenómeno.
Actualmente, existe um enorme receio de ver os professores substituídos pelas máquinas. Contudo, a utilização dos computadores pelas crianças suscita riscos de outra ordem, bem mais preocupantes.
Frequentemente, afirma-se que o computador é um instrumento que promove o desenvolvimento de capacidades motoras e cognitivas, em crianças muito novas, ou que ajuda a recuperar atrasos em alunos com algumas dificuldades, através de novos meios, mais atractivos e mais eficazes.
Na educação pré-escolar, os computadores proporcionam meios interessantes de iniciação à escrita e à leitura, como foi demonstrado em França, com algumas experiências realizadas neste nível de educação (Pouts-Lajus, 1999). Todavia, os pais e os professores têm de estar atentos, controlando a utilização dos computadores por parte das crianças e adolescentes. É na faixa etária dos 3-5 anos e dos 6-8 anos que a oferta de CD-ROMS educativos é maior. Esta tendência para as aprendizagens precoces pode conduzir a excessos, em que as primeiras vítimas seriam as crianças. Uma máquina, por mais multimédia que seja, não deve «formar um ecrã» entre a criança e o mundo (idem).
É reconhecido por todos os profissionais da educação, a importância das relações com o meio imediato para a aprendizagem e sociabilização, seja sob a forma de interacções entre aluno e professor, ou manipulando objectos diversos. Reconhecem a importância de equilibrar as diversas actividades que contribuem para o desenvolvimento da criança, em particular as mais jovens: desenho, canto, jogo, modelagem, actividades de grupo, descoberta da natureza, e porque não, a utilização do computador. Também estão de acordo, com o facto dos alunos reagirem de modo diferente face às tecnologias, devido às diferenças nos estilos intelectuais, aos perfis psicológicos, ao ambiente familiar ou às condições sociais. Se por um lado, existem crianças que aprendem mais facilmente por associação de ideias, por outro, verificamos que outras preferem um discurso mais linear. Relativamente aos adolescentes, verifica-se que alguns rapazes têm dificuldade em utilizar, de forma moderada e produtiva, o computador; alguns ficam fascinados pelos jogos de vídeo, pela Internet e pelos programas de informática. Segundo Pouts-Lajus "o processo de sociabilização dos rapazes e das raparigas tende a dar aos primeiros mais gosto pela tecnologia, mas ao mesmo tempo uma maior propensão para a dependência psicológica" (1999, p.111).

quinta-feira, 27 de março de 2008

O Papel das TIC na Escola - Uma ferramenta para os alunos

A interacção entre aluno e computador permite adaptar com mais precisão o ensino às necessidades individuais.
(Pouts-Lajus, 1999)

Apesar das muitas críticas feitas ao software didáctico de ensino assistido por computador (EAC), a sua utilização é um facto nos estabelecimentos escolares. Todavia, são-lhe reconhecidas muitas virtudes. Estas aplicações, muitas vezes funcionam como actividades de recuperação para alunos com dificuldades, de aquisição de saber-fazer, de repetição, de treino e de memorização. Oferecendo vários níveis de dificuldade, este software didáctico dá ao utilizador a possibilidade de controlar o desenrolar da aula, podendo aceder a informações complementares através de hipertextos. Estes programas permitem a cada aluno aprender consoante o seu ritmo, e ajudam o professor a realizar um acompanhamento personalizado da evolução do aluno.

O Papel das TIC na Escola - Uma ferramenta para os professores

Antes de ser um instrumento de ensino ou de aprendizagem, o computador é em primeiro lugar (…) uma ferramenta de gestão da administração e da vida escolar.
(Pouts-Lajus, 1999)

Os programas de burótica, processamento de texto, folha de cálculo e base de dados, são os programas mais utilizados na Europa, nomeadamente em França (Pouts-Lajus, 1999). Estes permitem uma racionalização de determinadas tarefas de gestão de turmas, como o acompanhamento individual dos alunos, das suas notas, dos horários e da biblioteca de turma. O computador permite também ao professor a preparação de materiais e fontes pedagógicas que servem de apoio para orientação ou ilustração da aula, ou ainda para organizar o trabalho individual dos alunos. Por outro lado, o acesso via Internet a bases de dados documentais multimédia aumenta substancialmente as fontes de informação ao dispor, o que facilita o seu emprego no computador da turma ou no âmbito do CDI (centro de documentação e de informação). Deste modo, os professores têm a possibilidade de trocar informações e reflexões com colegas, de participarem em experiências e trabalhos no seio de estabelecimentos e academias.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Papel das TIC na Escola - Aprender a comunicar

O filho do homem nasce mais imaturo do que o das outras espécies, e tem necessidade, para sobreviver e se desenvolver, de ser sustentado e amparado por adultos dedicados.
(Jerome Bruner, 1993)

Uma boa utilização das redes e do multimédia promove o desenvolvimento de talentos ao nível da escrita e da comunicação. Comunicar nas redes permite, por um lado, a aprendizagem de produção de mensagens rigorosas, objectivas, que são facilmente interpretáveis pelos seus destinatários. Por outro lado, permite "aprender a questionar, dar um sentido às novas informações, a colaborar" (Pouts-Lajus, 1999: 94).
A comunicação entre indivíduos de meios académicos diferentes promove o desenvolvimento e domínio da língua escrita, o gosto pela cooperação e a capacidade de estruturar a informação recebida. Célestin Freinet recomenda aos professores a utilização das tecnologias de comunicação na sala de aula, estabelecendo uma troca de informações entre turmas, um dos princípios fundadores da pedagogia Freinet.
As tecnologias digitais oferecem o acesso directo a uma forma específica de cultura que é o multimédia e as telecomunicações. Uma das missões que compete à escola é a introdução dos alunos na cultura da sua época.
O computador é frequentemente utilizado como instrumento de trabalho individual, quer seja no âmbito das disciplinas leccionadas ou fora delas. Todavia, pode também apoiar a mediação pedagógica no local (numa aula ou num trabalho de grupo), ou à distância (colocando em contacto, por meios telemáticos, um aluno e um professor ou grupos de alunos).
As tecnologias, assumindo-se como ferramentas de gestão, de aprendizagem pessoal, de comunicação, podem colocar-se ao serviço do professor, do aluno e da mediação pedagógica.

terça-feira, 25 de março de 2008

O Papel das Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação

As sociedades nem são estáticas nem o processo de mudança segue tendências simples […] de constante existe, sim, a própria mudança.
(DPI, 1987)


As condições sociais em que a escola se insere […] as possibilidades postas ao nosso alcance pelo incessante desenvolvimento tecnológico vão evoluindo constantemente […] É necessário acompanhar essa evolução com uma atitude aberta à mudança e à renovação.
(Ponte, 1990)


O conhecimento e o saber fazer passam hoje, cada vez mais, pela capacidade de aceder à informação das mais diversificadas fontes e de a relacionar, manipular, analisar e sintetizar.
(Comissão de Reforma do Sistema Educativo, 1988)


A introdução das novas tecnologias nas escolas tende a enriquecer o diálogo pedagógico, a aumentar o interesse e a motivação dos estudantes por matérias curriculares e pelas actividades e problemas da comunidade exterior, ao mesmo tempo que tende a acrescer os graus de liberdade de movimentação didáctica dos professores, como a diminuir uma dependência excessiva dos alunos em relação a estes.
(Comissão de Reforma do Sistema Educativo, 1988)