(Pouts-Lajus, 1999)
(…) tanto para as crianças como para os adolescentes, uma utilização mal controlada do computador pode apresentar certos perigos de que tanto os professores como os pais devem ter consciência. (Pouts-Lajus, 1999)
Existe uma grande preocupação e algumas suspeitas por parte dos pais, professores e observadores do mundo educativo quanto à utilização das tecnologias na educação.
Essa preocupação incide, sobretudo, no risco da máquina substituir o professor, o que é legítimo, visto que se trata de um instrumento de transmissão de informação.
Em circunstâncias muito particulares, o recurso maciço a meios técnicos na difusão de programas de ensino, teve a sua justificação. "Nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, na Europa, durante os anos 60, em África, no momento da descolonização, o audiovisual foi empregado para paliar a penúria de professores" (Pouts-Lajus, 1999: 109).
Por razões económicas, algumas empresas implementaram planos de formação dos seus trabalhadores, que consistia no ensino assistido por computador (EAC). Deste modo, poderiam substituir capital por trabalho, economizavam nas deslocações e no alojamento das pessoas em formação, transferindo a carga financeira da formação do empregador para os assalariados. Todas estas iniciativas foram dificultadas, tanto ao nível técnico como pedagógico, traduzindo-se num recuo muito sensível do EAC nas empresas, no início dos anos 90.
Só nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, a ideia do computador-professor foi introduzida nas instituições escolares (ILS – Integrated Learning System), tornando-se uma excepção. Na educação não há grande aceitação da lógica económica, que está menos sujeita às pressões do mercado do que a formação profissional. As tradições, a forte organização do seu pessoal e a liberdade reconhecida aos professores nas suas escolhas pedagógicas, contribuem decididamente para esse fenómeno.
Actualmente, existe um enorme receio de ver os professores substituídos pelas máquinas. Contudo, a utilização dos computadores pelas crianças suscita riscos de outra ordem, bem mais preocupantes.
Frequentemente, afirma-se que o computador é um instrumento que promove o desenvolvimento de capacidades motoras e cognitivas, em crianças muito novas, ou que ajuda a recuperar atrasos em alunos com algumas dificuldades, através de novos meios, mais atractivos e mais eficazes.
Na educação pré-escolar, os computadores proporcionam meios interessantes de iniciação à escrita e à leitura, como foi demonstrado em França, com algumas experiências realizadas neste nível de educação (Pouts-Lajus, 1999). Todavia, os pais e os professores têm de estar atentos, controlando a utilização dos computadores por parte das crianças e adolescentes. É na faixa etária dos 3-5 anos e dos 6-8 anos que a oferta de CD-ROMS educativos é maior. Esta tendência para as aprendizagens precoces pode conduzir a excessos, em que as primeiras vítimas seriam as crianças. Uma máquina, por mais multimédia que seja, não deve «formar um ecrã» entre a criança e o mundo (idem). É reconhecido por todos os profissionais da educação, a importância das relações com o meio imediato para a aprendizagem e sociabilização, seja sob a forma de interacções entre aluno e professor, ou manipulando objectos diversos. Reconhecem a importância de equilibrar as diversas actividades que contribuem para o desenvolvimento da criança, em particular as mais jovens: desenho, canto, jogo, modelagem, actividades de grupo, descoberta da natureza, e porque não, a utilização do computador. Também estão de acordo, com o facto dos alunos reagirem de modo diferente face às tecnologias, devido às diferenças nos estilos intelectuais, aos perfis psicológicos, ao ambiente familiar ou às condições sociais. Se por um lado, existem crianças que aprendem mais facilmente por associação de ideias, por outro, verificamos que outras preferem um discurso mais linear. Relativamente aos adolescentes, verifica-se que alguns rapazes têm dificuldade em utilizar, de forma moderada e produtiva, o computador; alguns ficam fascinados pelos jogos de vídeo, pela Internet e pelos programas de informática. Segundo Pouts-Lajus "o processo de sociabilização dos rapazes e das raparigas tende a dar aos primeiros mais gosto pela tecnologia, mas ao mesmo tempo uma maior propensão para a dependência psicológica" (1999, p.111).

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